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"Um poema geológico. A beleza absoluta."

Miguel Torga

Hoje lemos um poema. Não um poema qualquer, mas um poema de incontáveis estrofes espraiadas em socalcos mirando o Douro, que se apressa rumo ao Porto e, por fim, ao Atlântico. Miguel Torga viu-o como o mais belo poema geológico. Não se enganou.

Neste dia longo e memorável, percorremos caminhos estreitos entre vinhedos desenhados com o suor de muitas gerações; testemunhamos a história da Terra inscrita em minúsculos pedaços de xisto acumulados em cada muro e em cada patamar de vinha que agora verdeja, mas que, por altura das vindimas, lembrará uma tela de Van Gogh; viajamos até 1756, quando o Marquês de Pombal criou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, a mais antiga zona vinícola do nosso país: ali nasce o vinho generoso; dali parte desde há séculos para o mundo inteiro e propala um nome inconfundível - Porto.

Tudo isto já não seria pouco, mas houve muito mais.

Na Escola Profissional de Desenvolvimento Rural do Rodo, além de ficarmos a conhecer o funcionamento desta instituição, observamos jovens que se preparam para o mundo do trabalho nas áreas da gastronomia, do termalismo, da estética, da agricultura: vimo-los em ação e usufruímos dos produtos e serviços que, simpaticamente, nos ofereceram: doces que nos amaciaram o estômago, massagens que nos afagaram a pele. E cerejas - rubras, deliciosas, apanhadas da árvore para nosso regalo!

Houve ainda a visita ao Museu do Douro, onde absorvemos conhecimentos acerca da milenar região duriense, das suas gentes, dos seus produtos, da sua arte. Coincidência, ou não, passamos também pela casa em tempos habitada por Agustina Bessa-Luís, uma das escritoras que imortalizou estas paragens de beleza incomparável na sua literatura e que, a partir de hoje, repousará bem perto dali. Como se compreende a sua escolha…

Foi um dia em cheio. Foi um dia bom.

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